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textos - fernando manfio

"Risk Management"

Seguindo em nossa série de textos relacionados aos conceitos e práticas de Gestão de Risco , relativos aos produtos financeiros direcionados ao mercado Consumidor , vamos discutir as etapas de planejamento!

O que é planejamento em Gestão de Riscos? Onde começa? Quais as principais técnicas e ferramentas disponíveis? Qual a expertise necessária para um bom planejamento? Qual o investimento em recursos tecnológicos e humanos? Afinal, precisa-se mesmo levar tão à sério e tecnicidade nas áreas de Risco? Não basta nossa experiência no ramo?

Pois bem, infelizmente não basta a experiência passada, embora ela seja fundamental no contexto e na arte de gerenciar Riscos. Mas não basta por si só! Aliás, seria melhor dizer que felizmente não basta! Isso nos coloca com um desafio maior , mais abrangente e muito mais interessante, apesar de nos dar mais trabalho (melhor, pois trabalhar é bom... é o que enriquece a vida!).

Mas, voltando ao assunto da experiência anterior. Ela é , na realidade, o coração de tudo. Quando registrada em dados e informações; expressada conscientemente, através de técnicas estatísticas e avaliações coerentes, e ainda ; aplicada com bom senso e ferramental adequado; essa experiência se transforma em conhecimento e nos proporciona a possibilidade de controlar nossas previsões e riscos.

Planejar é, portanto, a chave do negócio - se o é em quase todos....por que não seria em Riscos?

Mas o que significa planejar? Significa sonhar? Pensar? Avisar antes de sair vendendo o mesmo produto pra outro mercado? Fazer uma mala direta porque deu certo no passado? Comprar um novo sistema? Comprar modelos estatísticos? Contratar profissionais do ramo? Fazer um curso? Estudar? Estabelecer uma boa parceria? Cobrar inadimplentes? Todas as anteriores?

Sim, planejar é tudo isso e mais um pouco. É entender e avaliar as possibilidades e oportunidades do negócio...mas vamos em frente ...

Onde começa o planejamento? Se o produto que estamos oferecendo é um produto de Risco, começa na própria definição do produto e do mercado a ser oferecido. A definição do produto em uma empresa que vende Risco está diretamente relacionada aos resultados projetados. As características do produto aliadas ao perfil do mercado onde ele será oferecido determinam uma parte desse Risco. Quais os processos de venda desse produto? De captura das informações? De críticas e validações dessas informações? Quais os processos de entrega e cobrança? Qual o tempo de resposta da decisão? Enfim, inúmeras facetas a serem determinadas e avaliadas, ie, planejadas.

Por exemplo: qual o tipo de produto que estamos ofertando? É um risco de sinistro (seguros)? É um crédito parcelado? Rotativo? Com ou sem garantia? Direto ou indireto? Que tipo de controle terei sobre a força de vendas e pessoal de captura de informações? Que tipo de bem estou financiando? Qual a durabilidade ? Qual o valor? Com ou sem entrada? Qual o tipo de relacionamento esperado com o cliente?

Sobre o mercado: Qual o público alvo? Qual o poder aquisitivo? Em que região e em que momento? Qual a classe profissional? Clientes novos ou antigos?

Sobre os processos: Interno ou externo? Terceirizações? Custos? Velocidade?

Tempo da decisão: Crédito na hora - imediato? Em 2 horas? 24hrs?10 dias??

Processo de decisão: automático ou manual? Objetivo ou julgamental? Com modelos estatísticos?

Ainda devemos avaliar as features financeiras do produto: tais como taxas e tarifas (sempre associadas ao risco esperado e vice versa), quais os processos contábeis, dinâmica de lucros, etc etc...

Enfim, todas essas características acima fazem parte do Risco, e aliadas à inteligência de gestão dos processos e informações, compõem a dinâmica de resultados do produto.

Todas essas perguntas (que são somente parte das necessárias) podem parecer um conjunto infindável de questões, mas se pararmos pra pensar um pouco, veremos que elas já foram respondidas ( ou decididas) pra todos os produtos já existentes! Resta-nos saber se houve coerência ou não.

É certo que algumas grandes decisões todos já sabem....nas políticas: não deixar de consultar os bureaus de informações negativas ( e positivas?). Construir modelos de decisão estatísticos (credit score)

Como então fazer para medir o efeito de cada um desses itens no risco do produto e, a partir daí, se necessário, reavaliar as políticas de decisão para adequar ao Risco esperado? Essa parte do planejamento, é o que chamamos de informações gerenciais . São os "olhos que tudo vêem", são o modo como avaliamos cada um desses aspectos do nosso produto.

O MIS ("management information system" ou sistemas de informações gerenciais) são geralmente deixados de lado num primeiro momento, começamos a operar primeiro e depois vamos ver o que acontece....mas se algo não andar bem... onde estará o problema? Como faremos para entende-lo e corrigi-lo? Dispensamos o diretor/gerente responsável pela operação? Ou seus funcionários? Terceirizamos? Compramos um novo sistema? Mandamos desenvolver um novo modelo de score? Onde está o problema? Talvez algum guru da área possa nos dar a resposta baseado em sua experiência de sucessos e insucessos do passado? Quem tem essa experiência igualzinha à nossa? Mesmo produto, mesmo mercado, mesmo perfil ou perfis de clientes, mesmos processos, mesmo nível de qualidade das informações e de recursos humanos, mesmos processos contábeis e indicadores, mesmo modo de pensar e agir nas decisões profissionais?

Porque não termos, nós mesmos a possibilidade de tomar a decisão adequada? Ainda não dá? Então, porque não assumimos esta responsabilidade de desenvolver essa capacidade de decisão? Porque não desenvolvemos as informações necessárias para avaliar cada segmento de nossas carteiras? Porque não acompanhamos periodicamente o andamento das mesmas? Porque não entendermos suas vulnerabilidades, fragilidades e forças? Porque não testarmos, pilotarmos e avaliarmos antes de expandir?

Por onde começamos?

Depende de onde se parte.... pode ser dos dados registrados, das informações disponíveis (sim porque um MIS é baseado nelas), das informações que buscamos em utras instituições, dos processos e controles... Os sistemas de entrada de dados, são flexíveis? São parametrizáveis? Estão adequados à minha capacidade e tempo de decisão? Sou capaz de aplicar diferentes políticas e modelos para diferentes nichos ou segmentos de minha carteira? Posso alterá-los rapidamente? Consigo guardar o resultado de cada decisão (de novo : informação)? Tenho modelos estatísticos implantados? Eles ainda funcionam?

Todas essas perguntas, ou melhor, as respostas a todas elas é o que chamamos de planejamento. Como disse antes, é o que direciona o sucesso ou insucesso de uma operação. O que nos dá o suporte adequado para as tomadas de decisão, para corrigirmos ou mantermos o rumo , ou frearmos ou pisarmos no acelerador.

Então, voltando ao princípio, nas definições básicas de Gestão de Risco, vale a pena relembrar que alguns conceitos são fundamentais e devem ser sempre avaliados no início do planejamento:


Risco & Recompensa: Similar ao conceito de Custo & Benefício, ie, a cada recompensa (receita) esperada está associado um risco inerente. Risco faz parte do negócio, não existe Risco Zero! Quando aplicado na gestão atuarial (cujo objetivo é a maximização do todo) o conceito mais adequado é o de otimização do risco ( e não minimização).
Gestão Atuarial : Gestão por estatísticas de volume cujo objetivo é a maximização da lucratividade do grupo e não de cada elemento ! É o único modelo de gestão que viabiliza o custo operacional para grandes volumes (quantidades) , aumentando a acertividade da decisão, devido ao alto número de informações repetitivas.

Qualidade das informações: Como a gestão atuarial é baseada na estatística de dados / informações, a qualidade dos mesmos direciona a qualidade da decisão tomada. Dados errados, desatualizados, mal interpretados geram decisões equivocadas.

Processos: A qualidade dos dados ( cadastrais, operacionais e comportamentais) está diretamente ligada a qualidade dos processos de captura, armazenagem, atualização e transformação de dados, sejam eles manuais ou automatizados. A capacidade operacional está diretamente ligada à qualidade e inteligência dos processos. produtividade é também uma consequência dos processos operacionais, bem como a inadimplência!

MIS: Somente através de informações gerenciais pode ser obter uma clara leitura das estatísticas comportamentais das operações. Um painel de controle contendo todas as informações relevantes ao negócio é o que direciona as decisões.
u Em gestão atuarial, a subjetividade é somente válida na ausência de informações, geração de testes e pilotos e em casos de exceções. As decisões são essencialmente objetivas e voltadas para a maximização do resultado do todo.

Testes e Pilotos: O conceito de testes é fundamental em gestão massificada. Validam hipóteses, direcionam implantações, otimizam processos, quebram paradigmas, adicionam informações.
« Um processo massificado possibilita a aplicação de testes de forma segura e eficaz através de amostragens. Tem massa!
Qualidade dos recursos humanos/Treinamento:« Especificamente em crédito massificado, as mudanças culturais, sociais e econômicas alteram comportamentos e desafiam conceitos enraizados, em alta velocidade.. alta volatilidade! A qualidade da interferência humana, seja na interpretação e planejamento, seja na operacionalização da concessão e cobrança do crédito, está diretamente relacionada ao nível de treinamento aplicado. ¨A capacidade e proficiência operacional é fundamental na operacionalização das estratégias.

Com esses conceitos "sempre" presentes na nossa mente e com os direcionamentos que as perguntas acima propostas nos trazem, bem como outras tantas outras derivadas delas, podemos ter uma ampla e clara idéia do que significa planejamento em Gestão de Riscos. E com isso, partir para avaliar o que temos implantado e buscar as soluções que nos são cabíveis (cada negócio tem a sua).
Ou, se estamos apenas começando, decidir partir de uma estrutura baseada em soluções inteligentes e concretas. Onde a realidade seja ela qual for , poderá ser medida, interpretada e corrigida , se for o caso!

Planeje bem o Risco... para poder desfrutar da Recompensa.

 

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