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textos - Fernando Manfio

A importância da gestão de risco

Originalmente publicado no site Letras & Lucros

A cada dia, cresce a importância e o interesse em torno da oferta de crédito por um número maior de pessoas, a chamada Gestão de Risco Massificado. São inúmeras as discussões, os debates, os seminários com os “experts” no assunto para abastecer a sede de conhecimento daqueles que projetam um crescimento acentuado de seus negócios em risco massificado.

Com o risco-País caindo vertiginosamente desde 2001, o crescimento econômico, consistente nos últimos 10 anos, leva à aceleração de saldos maiores de empréstimos, fazendo com que o total das carteiras de crédito aumente em um ritmo sete vezes superior ao crescimento do PIB.

Contribuem para isso a entrada de novos consumidores no mercado (jovens acima de 18 anos); o aumento do tempo da atividade econômica do brasileiro; a migração social na qual uma quantidade considerável de pessoas, que vivia abaixo da linha da pobreza, hoje, consegue participar do consumo privado.

Não bastasse isso, a oferta de produtos de crédito também contribuiu bastante: o crescimento do financiamento de veículos (com o aumento do valor e prazos médios dos empréstimos); a expansão dos cartões de crédito em suas diversas modalidades (bandeiras internacionais, bandeiras regionais, private label) com suas ofertas por meio de canais como o marketing direto, telemarketing e varejistas; o empréstimo consignado, a evolução da cultura do empréstimo pessoal, entre outros.

A grande oferta, sob as várias formas mencionadas, facilita o acesso da população ao crédito e coloca em evidência, para as empresas, a concessão dos recursos com baixo custo e controle do nível de perdas.

Em um conceito mais amplo, trabalhar com risco não deveria ser uma novidade. Afinal, risco está em toda parte, em incontáveis situações e eventos do dia-a-dia e, portanto, se repetem no tempo e para diferentes pessoas.

Mesmo que possamos decidir se sim ou se não, as situações retornam para que possamos tomar uma nova decisão em cada uma delas. Observar a grande quantidade de eventos que se apresentam e se repetem é bastante fascinante.

Gerenciar risco é buscar entender os perfis semelhantes e enquadrá-los com cada produto específico. Grande parte das situações, que se repetem, pode ser prevista na teoria das probabilidades e da ciência estatística. Ações e reações estão conectadas e podem ser medidas e avaliadas, comportamentos recorrentes podem ser previstos e administrados.

As observações de ações e resultados são freqüentes e a ciência estatística foi desenvolvida para adicionar lógica a esses eventos. É por meio desta sabedoria científica, produzindo novas ferramentas, novas técnicas de medição e previsão, métodos, processos e indicadores, que hoje podemos usufruir de tantos avanços no gerenciamento desses riscos.

São técnicas e conceitos que foram desenvolvidos e aprimorados para que possamos quantificar, entender e controlar de maneira eficaz o risco – sempre considerando sua aplicação, ou seja, as decisões que queremos tomar no dia a dia. E não somente sobre o risco em si, mas sobre a capacidade de calibrar a intensidade desse risco para conquistar a recompensa esperada: Risco é o negócio!

Assim, quanto maior a quantidade de profissionais aptos a entender isso, menores as chances de riscos descontrolados; maiores os acertos no planejamento, e, portanto, resultados mais positivos. Com certeza, isso facilita o equilíbrio das empresas retro-alimentando a busca por esse conhecimento.

Buscar a melhor relação entre risco e recompensa e, com isso, a maior lucratividade no negócio é arte que deverá impulsionar ainda mais o crédito e, por conseqüência, a economia deste nosso País.

 

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